segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Hospital de Santa Maria

Bem, medicada com as messalazinas fiquei bem durante cerca de um mês, fui à DisneyLand e sentia-me como se nunca estivesse estado doente. Voltei, acabei o 10ºano. E após isso, comecei a perder o apetite a voltar às diarreias, algumas vezes febre, com tudo isto emagreci bastante. Fui às urgências o meu médico estava fora num congresso. Levei uma perfusão de Buscopan e voltei para casa. Fiquei pior e desta vez voltei com uma receita de prednisolona. Mais uma vez fiquei pior quando voltei ao hospital o médico já lá estava, falamos com ele e explicamos bem a situação. E aí, ele disse a outra frase da qual nunca me vou esquecer: "Maria, vais ser internada. São só 3 ou quatro dias, para ter a certeza que está tudo bem."

Claro que não estava tudo bem, só voltei a sair do hospital para entrar na ambulância após terem decidido que ia mudar para o Hospital de Santa Maria, 3 meses depois.

Os 3 meses no hospital de faro não foram assim tão maus. Tive sempre sorte com as colegas de quarto e como o piso era no R/c ia muitas vezes com uma toalha sentar-me na relva a apanhar sol ou a fazer palavras cruzadas. No quarto tinha televisão, e acabei por ser apadrinhada pelas auxiliares e enfermeiras. Durante esse tempo houve muitas vezes em que pensei que estava a melhorar, mas era apenas temporário e parcial.


Um dia os médicos decidiram que já chegava de testes com a cortisona, que já tinha passado tempo demais e não se obtinham resultados. Assim, tive a minha introdução aos medicamentos biológicos. Fiz a primeira infusão de infliximab e nada, nenhuma melhoria. Ia eu a caminho de Lisboa na ambulância pronta para ser operada quando a segunda infusão mostrou alguns efeitos, duas dejecções completamente líquidas mas também completamente livres de sangue. Isto põe uma pessoa a pensar… Hesitaram na operação, mas após outra colonoscopia o intestino não apresentava nenhum sinal de cicatrização.

Chegada a Lisboa já não comia nada à dois meses! E recebi logo a notícia que só voltaria a comer depois da cirurgia. Já nem sabia bem o sabor da comida, não conseguia imaginar sequer, eu só queria voltar a morder alguma coisa… Mal podia beber água…

Esperei uma semana pelo cirurgião escolhido pelo meu novo e actual gastrenterologista o Dr. Luís Correia. O meu corpo respondia tão parcialmente à medicação que o Doutor, na noite anterior à operação, apareceu à beira da minha cama, depois de ter ido para casa, e disse que ainda ia ver bem o meu processo para ponderar a operação. Claro, que eu que todos os dias perdia enormes quantidades de sangue, não liguei muito àquela intervenção.










segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O que é são as DII? Porque aparecem? Têm cura??

 As DII, ou seja, Doenças Inflamatórias do Intestino, são doenças que como o nome indica provocam graves e sérias inflamações no intestino. No fundo como que pequenas úlceras. Estas estam divididas em duas: Doença de Crohn e Colite Ulcerosa. Cada uma pior que a outra.
 A Doença de Crohn, acaba por ser muito semelhante à Colite com a excepção de que a CU está restricta ao intestino grosso, enquanto a DC pode Manifestar-se em qualquer parte do tracto digestivo, desde a boca até ao recto.
 Ambas as doenças têm causas desconhecidas, descobriu-se recentemente que as pessoas que têm DII têm uma anomalia genética, no entanto existem pessoas que possuem essa anomalia mas não manisfestam a doença. São doenças de caracter auto-imune, portanto o organismo ataca-se a si próprio provocando úlceras.
Muitos são os doentes de DII que conseguem ser controlados com a medicação. Esta consiste em 4 passos:
                          -  Messalazinas (Orais, Supositorios ou Enema)
                     - Corticóides (Hidrocortisona e Prednisolona)
                     - Imunosupressores Biológicos (Infliximab, Ciclosporina, Abdulimab, ...)
                     - Cirurgia para remoção total ou parcial do orgão afectado (única cura para CU)
 É grande apercentagem de pessoas que com CU vivem normalmente com apenas as messalazinas, outras que têm de passar para os corticóides. Estas terapeuticas podem ser efectudas em casa na fase controlada da doença, na fase aguda é possível que tenham de ser administrados corticóides endovenosos (na veia). Há ainda aqueles que necessitam de se deslocar ao hospital para a administração dos medicamentos biológicos pois só existem sob a forma injectável. Depois há a pequena mas terrível minoria daqueles que rejeitam toda a medicação e são submetidos a uma cirurgia para a eliminação do orgão afectado.
 Alguém com DII não deve ser submetido a um dieta específica como diz o mito, esta apenas será necessária durante os períodos de crise. Cada doente deve exprimentar cada alimento e verificar o efeito do mesmo no seu organismo.

Como tudo começou...

 Tudo começou com uns estranhos episódios de diarreia, aos quais eu pouco liguei pois aparentavam ser passageiros. E na realidade foram, as fezes voltaram à consistência normal. Tudo para apenas uns dias mais tarde, meses parece-me, surgir SANGUE nas minhas fezes. Sim, isso mesmo! Não queria acreditar, não me parecia real, então fiz o pior que podia fazer : IGNOREI e esperei que passa-se. Claro, que não passou, cada vez era mais e mais..
 No cento de saúde chamaram-lhe hemorróidas, disseram para não me preocupar que facilmente se tratava, mas o diagnóstico não pegou muito connosco, então a minha mãe decidiu que eu havia de fazer uma colonoscopia.
"Uhhh, que exame doloroso para uma menina tão novinha"- dizia a grande parte das pessoas. Verdade seja dita que eu fiz a porcaria do exame, fi-lo sem anestesia e nem doeu assim tanto!
 No fim dos 30 cm, o médico, Dr. Horácio, diz-me a mim e aos meus pais: "A Maria tem Colite Ulcerosa que é uma das Doenças Inflamatórias do Intestino. Não se preocupem que não é grave e medicada pode fazer a vida dela normal sem nenhuma restricção. Mando-a seguir consulta com o meu colega e expecialista neste tipo de doenças o Dr. Paulo Caldeira." Nunca mais vou esquecer estas palavras.
Fiquei medicada com um anti-inflamatório denominado messalazinas, e durante algum tempo fiquei bem.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Objectivo

Ah... É deveras estranho escrever uma espécie de diário público quando nem um privado tive... Ainda assim sinto vontade de escrever sobre isto.
A ideia já me tinha ocorrido mas, só neste meu 3º internamento é que decidi pô-la em prática. Quiçá pelo meu gosto pela escrita, ou pela vontade de partilha e de dar apoio a alguém que esteja na mesma situação.
Espero sinceramente que se algum de vocês esteja numa situação como esta não desesperem e consigam encontrar um pouco da vossa força na minha :)